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A rede elétrica do futuro: a geração de valor está na capacidade de operar a complexidade, dados, automação e inteligência

  • Foto do escritor: Milton Wells
    Milton Wells
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Por Samuel Alves Barbosa


A rede elétrica do futuro não está em uma transição gradual, tecnológica e tranquila. A realidade é dura, o setor elétrico brasileiro não vive uma transição suave, mas uma mudança abrupta e estrutural.


A visão de uma arquitetura da rede elétrica, concebida para fluxos previsíveis, estática, para geração síncrona, planejamento centralizado, com foco apenas na expansão física, está sendo está sendo pressionada por vetores simultâneos como crescimento acelerado de fontes intermitentes, como a solar (especialmente da micro e minigeração distribuída), novas cargas eletrointensivas (data centers e hidrogênio), de inversões de fluxo, rampas mais agressivas e a maior exposição a eventos climáticos extremos.


O resultado é claro: curtailment, estresse no controle de tensãoe frequência, estabilidade dinâmica e uma exigência maior dos clientes por qualidade dos serviços.

O sistema opera cada vez mais próximo de seus limites físicos e operacionais, enquanto os instrumentos regulatórios seguem ancorados em uma lógica de expansão por ativos, não por serviços. Tanto em transmissão quanto em distribuição, vemos um volume de investimento robusto, o PAR/PEL 2025 indica 5.301 km de novas linhas e 24.314 MVA, o que indica um potencial investimento de R$ 28,1 bilhões de 2026 a 2030.


No âmbito da distribuição, os investimentos também se têm intensificado para atualizar e expandir a rede, em 2025 o investimento deve ter ficado na ordem de 47 bilhões, o Plano de Desenvolvimento da Distribuição (PDD) atualizado pela Aneel projeta R$ 235,7 bilhões em aportes. Apesar dos valores bilionários a expansão segue critérios prudenciais, na transmissão regida por um revenue cap (RAP/BRR, WACC regulado, RBSE), expande-se com prudência para evitar ativos ociosos, enquanto a distribuição, sob price cap, internaliza fortes incentivos de contenção de custos e otimizações, isso tendem criar uma assimetria entre investimento em expansão e problemas de orquestração das complexidades, que exigem uma precificação adequada.


Aqui configura a materialização das dificuldades hoje enfrentadas pelo sistema, mais também uma oportunidade. O valor da rede do futuro não está apenas em mais quilômetros de linhas ou mais MVA instalados, mas em observabilidade, controlabilidade, flexibilidade e resiliência. Valor está na capacidade de enxergar o sistema em tempo real, controlar fluxos de potência bidirecionais, modular geração e carga, e responder rapidamente a eventos extremos. Isso vale tanto para a rede básica quanto para a distribuição.


Para o consumidor, a resposta é ainda mais objetiva:  o que gera valor é segurança com eficiência econômica. Tarifas menores no curto prazo, obtidas via subsídios cruzados ou sinais distorcidos, tendem a cobrar seu preço adiante na forma de encargos, investimentos emergenciais e perda de confiabilidade. O consumidor não se beneficia de um sistema barato, porém frágil, beneficia-se de um sistema eficiente, previsível e resiliente.

A nova economia da energia indica um valor agregado que vai além do ativo físico. Redes inteligentes e mercados abertos despontam novas fontes de receita e eficiência. A de movimentos concretos de para tenhamos os sinais econômicos adequados para armazenamento, flexibilidade, resposta da demanda, serviços ancilares, otimizações e orquestrações de recursos distribuídos, com maximização dos ativos existentes e uma governança que alinhe expansão da oferta à real necessidade e capacidade de absorção da rede.

A questão é: quão rápido estamos caminhando para a rede certa, com quais ferramentas estamos trabalhando. Insistir em expansão baseada apenas em capacidade instalada é insistir em um modelo que já mostra sinais de que não atende plenamente as demandas atuais. A rede do futuro será mais verde, mais digital e necessariamente mais inteligente, mais flexível e orientada a valor sistêmico.


Engenheiro, especialista em desenvolvimento de novos negócios no setor elétrico.

 
 
 

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