SEMI avança na execução de contratos do Leilão A-5 e foca em IA para consolidar retomada em 2026
- Milton Wells
- 20 de jan.
- 2 min de leitura

O mercado brasileiro de PCHs vive um momento de reaquecimento estratégico. Após o Leilão A-5, realizado em agosto de 2025, o setor industrial começa a desenhar seu cronograma de produção para os próximos anos. Para a SEMI, de São José dos Pinhais (PR), o cenário é de crescimento sustentado, com um incremento de faturamento na casa dos 30% ao ano.
Segundo o diretor da empresa, Luiz Antonio Valbusa, embora o leilão tenha injetado otimismo, o impacto na linha de produção é gradual. A empresa não espera um incremento imediato, dado que a maior parte dos projetos deve iniciar as obras entre 2027 e 2028. Todavia, ele pondera que o movimento já existe: "Alguns empreendimentos que participaram do certame já possuem unidades em operação, outras em fase de montagem e algumas em fabricação".
Modernização tecnológica
Para 2026, a SEMI Industrial aposta na modernização tecnológica para se diferenciar. “A integração da IA e do monitoramento remoto transforma a operação de reativa para proativa. No dia a dia, isso significa que o operador não precisa mais apenas monitorar dados históricos; a IA utiliza modelos preditivos para identificar padrões de vibração ou temperatura que precedem uma falha, permitindo intervenções antes que a parada ocorra”, relata Valbusa.
Além disso, o sistema melhora o despacho em tempo real de acordo com a variação hídrica, garantindo que a turbina opere sempre na sua melhor zona de rendimento. Isso reduz drasticamente as visitas técnicas de emergência e maximiza o faturamento da usina pela maior disponibilidade de máquina, completa.
Na parte mecânica, a empresa busca a eficiência através de CFD avançado por meio de simulações multifísicas para otimizar perfis de pás e geometria de canais, além do uso de aços inoxidáveis de alta resistência e revestimentos cerâmicos para reduzir o desgaste e manter o rendimento em cargas parciais.
Cenário
Já o cenário para 2026 traz desafios tributários com a implantação do CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que, segundo Valbusa, devem elevar os preços em cerca de 1%, o que não deve afetar a produção da indústria nacional.
"A importação de turbinas para CGHs e PCHs não oferece risco ao nosso mercado. A qualidade desses equipamentos costuma ser baixa e esses fornecedores historicamente não têm sucesso no Brasil pela dificuldade no pós-venda", afirma o diretor.

Com uma produção equilibrada entre turbinas Francis e Kaplan - com uma tendência de alta para o modelo Kaplan -, Valbusa nota que esta é uma resposta direta à maturidade do mercado brasileiro. “ Os potenciais hidrelétricos com quedas médias e altas, ideais para turbinas Francis, já foram, em grande parte, explorados. O que resta são projetos com quedas menores, onde a turbina Kaplan é tecnicamente superior. Além disso, este tipo de turbina oferece uma faixa operativa mais flexível, o que é vital frente à maior variabilidade das vazões dos rios que temos observado recentemente”.
Embora o crescimento do faturamento venha se mantendo na faixa de 30% ao ano, a empresa optou por absorver essa demanda através da terceirização estratégica. “O atual cenário de custos sociais e encargos trabalhistas imposto pelo governo atual é extremamente oneroso, o que nos obriga a ser conservadores em novas contratações diretas para manter a viabilidade do negócio”, explica.








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